A inteligência cultural

 

Num universo negocial inequivocamente globalizado, o desenvolvimento da designada inteligência cultural é fundamental para interagir mais positiva e eficazmente, sejam quais forem os objectivos.

O conceito de inteligência cultural surge no extremo oposto do etnocentrismo. Por etnocentrismo, entenda-se a profunda crença – e consequentes atitudes em conformidade – de que uma determinada cultura (normalmente a própria) é superior às demais, em variadíssimos aspectos (língua, traços de personalidade e carácter dos nativos, comportamento, nível de civilização, entre múltiplos outros aspectos). A título de exemplo, refira-se que o expoente máximo de um comportamento etnocentrista serão os povos que defendem o conceito de “limpeza étnica”.

Note-se, no entanto, que além do etnocentrismo social existe (e frequentemente!), o etnocentrismo empresarial: a convicção que determinada empresa ou marca é superior às demais, a preferência pela admissão de colaboradores da mesma nacionalidade, etnia, religião, entre outros aspectos.

Parece só existir uma forma de ultrapassar comportamentos etnocentristas: através do desenvolvimento do conhecimento teórico, nomeadamente aprendizagem de línguas estrangeiras, características de outras culturas, e prático, como por exemplo viajando, conhecendo e interagindo com pessoas estrangeiras.

Por outro lado, as diferenças culturais têm que ser encaradas com normalidade e, sobretudo, flexibilidade. Crenças e comportamentos absolutos são totalmente contra-producentes (por exemplo, achar que todos os portugueses são detentores de um determinado traço de personalidade ou comportamento). Quanto maior for o conhecimento adquirido, mais ideias deste tipo cairão por terra, facilitando o desenvolvimento da inteligência cultural, que será tanto maior quanto for a capacidade de um determinado indivíduo gerir os paradoxos culturais. Note-se também que estes paradoxos são tanto mais frequentes e complexos quanto maiores forem as respectivas culturas e países sob análise (Brasil, China, Estados Unidos…).

A inteligência cultural é a capacidade de interpretar mensagens adversas, ambíguas, complexas, emanadas por outra cultura, principalmente no que concerne tudo o que influencia o comportamento social e profissional.

Também, aqui, o protocolo poderá dar um contributo muito positivo.

Cristina Fernandes