A mesa

Desde tempos imemoriais, uma mesa é, mais do que um objecto, todo um espaço de comunicação: à mesa se conversa, se reúne, se negoceia e se tomam as refeições.

Negoceia-se à mesa. A palavra negociar remonta ao termo latino “negocium” composto pela junção de “nec” (não) + “ocium” (ócio) que remete para a noção de actividade tendo, com o passar dos séculos, chegado ao sentido actual de obtenção de acordo (em diplomacia) e conclusão de negócio (nos actos de comércio).

Da diplomacia não podemos separar os conceitos de Cerimonial, Protocolo e Etiqueta e, se destes conceitos (que não são sinónimos!) retirarmos o sentido de um conjunto de procedimentos que regem a encenação do poder (político, económico, empresarial, social…) facilmente podemos concluir que uma mesa é, neste contexto, mais do que um simples móvel ou elemento decorativo.

Dois dos mais relevantes momentos na história do Protocolo – as negociações de Talleyrand (Diplomata, Ministro de Napoleão, 1754-1838 ) e o Congresso de Viena (1814-1815) – ficaram registados como tendo ocorrido à volta da mesa de negociações e de refeições. Desde então, a sua importância torna-se inquestionável: a mesa é, por excelência, o espaço da comunicação, mas igualmente do prazer dos sentidos.

Com tantas e tão importantes funções, a mesa é um cenário no qual os diversos actores desempenham múltiplos papeis, não raramente denotadores do seu estatuto e poder. Estas e outras razões fazem do “seating” o verdadeiro quebra-cabeças do Protocolo…

Então, entendo que na organização de uma mesa – seja de trabalho, seja de refeição – se devem ter em conta os seguintes aspectos:

  • Localização da mesa na sala.
  • Formato da mesa.
  • Lugar do anfitrião.
  • Lugar do convidado de honra.
  • Disposição dos demais participantes.

 

A mesa é um espaço de criação e desenvolvimento de relações sociais e profissionais, cuja verdadeira arte é composta por um equilíbrio entre conversação, negociação e celebração. E este aspecto é transversal a qualquer cultura.

Cristina Fernandes