O desafio actual e urgente do Protocolo Oficial Francês

O Protocolo Oficial Francês não prevê, na respectiva legislação (Decreto nº 89-655 de 13 de Setembro de 1989 e Decreto nº 95-1037 de 21 de Setembro de 1995), a forma como a Mulher do Presidente da República Francesa deve ser tratada, quer ao acompanhar o Presidente quer nas suas deslocações individuais. Cabe, assim, aos Serviços do Protocolo de Estado definir e informar quanto a este procedimento.

Como na maioria dos países, a Mulher do Presidente da República é normalmente designada como Primeira-Dama e França não foge à regra tendo, até ao momento, utilizado sempre a expressão “première dame de France”.

Contudo, com a vitória nas presidenciais francesas de M. François Hollande, divorciado, vivendo em união de facto com Mme. Valérie Trierweiler, protocolarmente tudo se complicou… e, além da complicação, surge também a urgência, dada a realização da Cimeira do G8 em Camp David, na qual se prevê que o futuro Presidente esteja presente e acompanhado.

Qual será, então, a decisão? Qual o tratamento a dar a Mme. Valérie Trierweiler? Mme. Valérie Trierweiler, Companheira do Presidente da República? Mme. Valérie Trierweiler, Cônjuge do Presidente da República? Mme. Valérie Trierweiler, Mulher do Presidente da República?

Acresce que, tanto quanto a imprensa “informa”, a própria terá uma palavra a dizer, pois a sua opinião não é despicienda… M. François Hollande e Mme. Valérie Trierweiler formam o primeiro casal não casado a aceder ao Eliseu, o que claramente exigirá do Protocolo criatividade, bom senso e muita diplomacia para gerir o tema…

Afinal, os tempos mudam e a tradição já não é o que era! Além das repúblicas, também as monarquias já aceitam receber casais não oficialmente casados. Só o Vaticano permanece inflexível e não acede a receber a acompanhante de um Chefe de Estado não casada ou divorciada.

Em breve a dúvida será oficialmente esclarecida…

Cristina Fernandes