Protocolo Multicultural: Cultura Japonesa

Alguns dos aspectos da cultura Japonesa mais marcantes para os profissionais Ocidentais são:

  • A organização interna de uma empresa Japonesa.
  • O processo de tomada de decisão.
  • O tradicionalismo nas estruturas hierárquicas.
  • A relação das empresas entre si no mercado.

 

Os profissionais Japoneses encaram as suas empresas como famílias ou comunidades, apesar do emprego para toda a vida ser, inevitavelmente, um conceito em declínio. Um recém-licenciado entra numa estrutura empresarial como se de uma estrutura familiar se tratasse, não querendo provocar alterações drásticas. Os colaboradores que são admitidos numa empresa ao mesmo tempo estabelecem fortes laços entre si e são designados “doki”. A distinção entre vida profissional e vida pessoal não é clara e em grandes organizações mesmo aqueles que já se encontram reformados continuam envolvidos e são ouvidos.

Algumas notas de cariz prático:

  • Os cartões-de-visita (“meishi”) são fundamentais. Devem ser trocados no início de uma reunião e, se este procedimento não ocorrer, é encarado como falta de cortesia. O cartão deve ser entregue com ambas as mãos, recebido e observado, de seguida mantido visível durante a reunião.
  • A noção de tempo é absolutamente rígida e os horários são para cumprir.
  • Facultar informação é uma prática a promover junto de interlocutores Japoneses, desde que os dados sejam completamente fiáveis e apresentados de forma apelativa.
  • A cultura empresarial continua a ser formal. O tratamento deve ser de “Mr.”/“Mrs.” seguido do apelido.
  • A um Japonês não se devem fazer perguntas directas, com expectativa de obtenção de respostas de “sim” ou “não”. Como um Oriental não gosta de dizer “não”, responderá ou “sim” ou algo vago. Dizer “não” é considerado rude e agressivo e, portanto, mal aceite profissional e socialmente. Esta realidade pode tornar uma conversa ambígua, algo para que os Ocidentais devem estar preparados. A relutância em dizer “não” resulta frequentemente em respostas generalistas que geram uma discussão vaga, acabando por levar o interlocutor a concluir que existe uma impossibilidade de realização. Um Japonês rodeará o assunto para que o interlocutor infira o “não”.
  • O silêncio prolongado deve ser tomado como uma negativa.
  • A resposta a um e-mail deve ocorrer no máximo no prazo de 24 horas, pois os Japoneses apreciam a celeridade.

 

Note-se que os Japoneses atribuem enorme importância à troca de presentes, gesto que acontece em quase todas as ocasiões, inclusive mesmo no início de um processo de negociação.

A primeira reunião de um processo de negociação – certamente demorado! – é um momento privilegiado para a troca de presentes, entre delegações, já que os Japoneses adoram quer receber, quer oferecer presentes. Nesta circunstância os presentes deverão ser impessoais e é aceitável todo o tipo de material publicitário que inclua o logótipo da empresa ou da marca. Este tipo de presentes deverá ser entregue a todos os participantes, sem excepção. Contudo, deverá sempre ter-se em mente que qualquer presente é um símbolo de sociabilidade e/ou amizade.

Presentes mais pessoais, ou de maior valor, devem ser entregues em privado e significam lembrar que uma relação negocial começou e será desenvolvida continuadamente.

Um sinal de que essa relação se iniciou e progride positivamente é o pedido de participação numa fotografia de grupo, que se tornará numa lembrança agradável quando entregue a todos os presentes, devidamente emoldurada.

Algumas notas:

  • Todo e qualquer presente deve ser embrulhado cuidadosamente, pois os Japoneses atribuem extrema importância ao embrulho.
  • Deve-se desvalorizar a relevância material do que se oferece: o importante é o gesto.
  • Não se deve abrir o presente à frente de quem o entregou e, se tal acontecer, desembrulhe-se o mesmo cuidadosamente, não se destruindo a embalagem.
  • Evite-se oferecer objectos de decoração para casa: por um lado é uma forma de atribuir falta de gosto ao presenteado e, por outro, as casas dos Japoneses são normalmente muito pequenas, não comportando muitos objectos decorativos.
  • Atente-se igualmente à cor dos embrulhos: branco e vermelho são para namorados, prata e dourado para casamentos/noivos, branco e preto para funerais.
  • O presente deve ser entregue e recebido com as duas mãos, sorrindo e mantendo discreto contacto visual.
  • Objectos cortantes não devem ser oferecidos.
  • As bebidas e os artigos gourmet são muito apreciados.

 

Cristina Fernandes