Palácio Nacional de Queluz: A Sala do Trono

Este texto surge no âmbito da recente Cerimónia Oficial designada Apresentação de Cumprimentos de Ano Novo do Corpo Diplomático acreditado em Portugal ao Presidente da República que, este ano, se realizou no passado dia 15 de Janeiro, cerimónia esta que acontece na Sala do Trono do Palácio Nacional de Queluz.

O Palácio Nacional de Queluz deve a sua passagem a Palácio ao Infante D. Pedro, pois até então fora a “Casa de Campo” de Queluz, sofrendo obras de restauro e ampliação ao longo de todo o século XVIII, que o tornaram o mais importante exemplar da arquitectura palaciana portuguesa, associado à vida da Corte. Em 1908 o Palácio é doado ao Estado que o classifica, em 1910, como Monumento Nacional. Apesar disso, e por ter sofrido várias vicissitudes, o Palácio só abre ao público em 1940.

A Sala do Trono é, de todos os espaços do Palácio, o de maior beleza. Este espaço, construído a propósito do casamento de D. Pedro com a futura Rainha D. Maria I, em 1760, surge da necessidade de transformar a até então casa de campo numa residência com o estatuto real. Assim, esta sala foi pensada para a realização de audiências protocolares e outras cerimónias, propósito esse que se mantém até à actualidade. Jean-Baptiste Robillion, decorador francês, utiliza o espaço de cinco salas transformando-o num amplo salão com abertura directamente para os jardins, obra esta concluída em 1774.

Actualmente, a Sala do Trono é um espaço desprovido de qualquer mobiliário, pelo que a sua beleza advém dos aspectos decorativos marcados pela talha dourada. A decoração desenvolve-se ao longo das paredes e portas e o tecto, de fundo branco, apresenta pinturas em dourado da autoria de João de Freitas Leitão, que traduzem a Fé, o Sol, a Esperança, a Guerra, a Justiça e a Caridade.

Note-se que, durante o reinado de D. Maria I, este salão foi muito pouco utilizado para audiências oficiais, dado que os Monarcas e a Corte residiam no Palácio Nacional da Ajuda, utilizando o Palácio Nacional de Queluz apenas no Verão. Contudo, nas festas que se realizavam na época estival, este salão era espaço de recepção de convidados, de concertos e de representações teatrais. Ao longo dos séculos, o salão serviu também de cenário a cerimónias religiosas, designadamente baptizados mas também exéquias fúnebres.

Em 1930 a Sala do Trono é restaurada e, mais recentemente, em 2002/2003, é sujeita a nova intervenção de manutenção. Na actualidade este espaço nobre é palco de banquetes oficiais e de cerimónias oficiais.

Fonte: “Palácio Nacional de Queluz”, da autoria de Margarida de Magalhães Ramalho.

Cristina Fernandes