Protocolo Multicultural: Angola

 

Este texto, dedicado a Angola, surge no âmbito do feriado de 4 de Fevereiro – Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional. A 4 de Fevereiro de 1961 iniciou-se a luta armada de libertação nacional Angolana contra o colonialismo Português, tendo sido dado o primeiro passo para a conquista da independência do país, sendo, portanto, uma das mais importantes datas na história Angolana, na medida em que levou esta nação à conquista da independência.

Algumas notas de carácter cultural:

  • Os símbolos da República de Angola são três: a Bandeira, a Insígnia e o Hino. A Bandeira Nacional foi adoptada com a Independência, a 11 de Novembro de 1975.
  • Viajar para Luanda é, actualmente, uma prática frequente na vida de muitos profissionais. Àqueles que viajam pela primeira vez, aconselha-se abertura e respeito face a uma cultura que, apesar de muitos pontos comuns, não é a sua. O primeiro conceito radicalmente diferente é o da relação com o tempo, pois a constante pressa dos europeus e americanos opõe-se à calma com que a maioria dos Angolanos gere o seu tempo. Será, quase sempre, o caótico trânsito da cidade de Luanda a determinar a hora dos compromissos, mais do que um pormenorizado planeamento de agenda. Por outro lado, os dias começam muito cedo, mas podem terminar com um jantar tardio e demorado num dos muitos requintados restaurantes da cidade. Não restará muito tempo para descansar.
  • Ocorrem significativas diferenças entre as diversas províncias (climatéricas, culturais, linguísticas) pelo que cada destino deve ser estudado especificamente.
  • O cumprimento mais frequente em ambiente profissional, mesmo entre mulheres, continua a ser o aperto de mão. É importante trocar cartões-de-visita e não descuidar o uso de títulos académicos, militares e profissionais. Ao contrário do que possa parecer numa observação ligeira, a sociedade Angolana é muito formal, devendo-se um enorme respeito e até deferência face a estatutos sociais e profissionais, bem como face à idade. Os cumprimentos e os encontros nunca deverão ser apressados e informais, é usual que se pergunte pela família e se faça conversa de circunstância evitando, naturalmente, como em qualquer situação, temas delicados de natureza política, social ou religiosa.
  • Também em Angola a imagem pessoal conta, e muito. Em ambientes profissionais mais formais, continua a ser aconselhável o uso de fato e gravata, apesar do conceito de business casual já ser muito frequente. Atente-se, contudo, a que casual (sem gravata), não significa desleixo, pelo que o clima não deve servir de desculpa para usar trajes demasiadamente informais. Os Angolanos apreciam uma apresentação cuidada, gostam de peças de qualidade e de marca.
  • De um modo geral, os Angolanos possuem um forte poder de compra associado a uma cultura de consumo e celebração.
  • Povo hospitaleiro por natureza, os Angolanos gostam de celebrações e, numa cidade como Luanda que ainda não dispõe de muitas opções de lazer, os almoços e jantares são muitos frequentes e animados. Não é de bom-tom recusar o que é oferecido, nem assumir uma postura de nada querer provar.
  • Os Angolanos falam calmamente, normalmente em tom de voz moderado ou baixo, e não devem ser interrompidos. Também a comunicar, como em quase tudo, é necessário dispor de tempo. O contacto visual é importante mas o olhar não deve ser invasivo. Tentam sempre agradar aos seus interlocutores e os padrões de comunicação não são, sempre e por definição, semelhantes nem aos europeus nem aos americanos. Dificilmente se ouvirá de um Angolano um “não” directo e assertivo, pelo que, em determinadas situações, poderão ocorrer interpretações não totalmente exactas.
  • As reuniões decorrem, habitualmente, em ambiente formal e, ao contrário dos Brasileiros e Portugueses, os Angolanos não são grandes apreciadores de café, preferindo o chá.
  • Poderá ocorrer a troca de presentes como forma de estreitar relações.
  • À semelhança de outras culturas, também os Angolanos precisam de estabelecer relações pessoais e de confiança para, posteriormente, negociarem. Isso exige disponibilidade de tempo e de recursos para investir no estabelecimento de relações que podem demorar a se desenvolverem, numa cidade como Luanda que é, nem mais, nem menos, do que a mais cara do mundo.
  • A palavra urgência definitivamente não se enquadra neste contexto.

 

Algumas notas genéricas:

  • Angola é uma palavra derivada de Ngola (ou N’gola ou N’Gola) e, dada o “g” ser nasalado e estranho à nossa fonética, foi-lhe acrescentado o “a”.
  • Esta designação foi dada a uma dinastia de povos chamados, mais tarde, por Ambundos, vindos da África Sub-Central até ao Cuanza, tendo aí fundado um reino poderoso.
  • Na actualidade, Angola faz fronteira a Norte com o Congo, a Este com a Zâmbia, a Sul com a Namíbia e a Ocidente tem o Oceano Atlântico (Quando Diogo Cão chega ao Zaire, já o reino tinha a sua capital em Dongo, tendo gradualmente alargado os seus domínios, nomeadamente depois de 1556 quando a vitória sobre o Congo permite ao reino de Angola estender-se até ao litoral).
  • Além das populações lusófonas, a população usava, principalmente no passado, um sem-número de formas idiomáticas diversas.
  • No passado, o processo cultural angolano desenvolveu-se seguindo duas linhas: a integração da Cultura Portuguesa em terras Angolanas e a integração do homem Angolano na Cultura Portuguesa, tendo, sobre estes dois suportes, sido constituída a Cultura Angolana, nomeadamente na vertente literária (as primeiras manifestações literárias remontam ao Séc. XVIII com o cronista António de Oliveira de Cadornega, autor de “História Geral das Guerras Angolanas”). Actualmente, a influência de muitas outras culturas, como por exemplo a Brasileira, é enorme.
  • Só a partir de 1845, com o “Boletim do Governo Geral da Província de Angola” passou a haver uma imprensa para registo de manifestações literárias dos escritores que foram surgindo – Cordeiro da Mata, Pedro Machado, Urbano de Castro, Francisco Castelbranco, Alberto de Lemos, entre outros.
  • A arte angolana seguiu inicialmente o estilo realista da antiga arte Oeste-Africana mais tarde influenciada por arte católica levada pelos missionários Portugueses.

 

Cristina Fernandes