O respeito na realidade online

É uma excepção, na actualidade, não viver super-conectado online. Se criar essa realidade online não é difícil (dados os múltiplos meios e ferramentas à disposição, por poucos clicks), poderá não ser tão fácil assim sustentar de forma credível esse universo.

De facto, constantemente se tem conhecimento de situações constrangedoras, abusos, violações de privacidade e outras violências no mundo virtual.

Em meu entender, também a liberdade de expressão tem limites: os do bom senso. Acusações infundadas, insultos e ataques são erros que se podem revelar fatais para quem os comete.

A cultura da realidade online ainda precisa de ser aprimorada e sê-lo-á, certamente, com o tempo. A todo o momento, milhões de milhões de utilizadores estão permanentemente online, comunicando entre si, disponibilizando e partilhando informação, analisando e debatendo todo o tipo de assuntos. Escolher a forma como nos posicionamos nesta realidade virtual é uma decisão de cada um que, tal como muitas outras, deve ser alvo de ponderação. E esta escolha deve espelhar as nossas convicções, a nossa personalidade e a nossa forma de estar na vida.

Lamentavelmente, verifica-se que nem sempre assim acontece. A neutralidade pode ser uma via, mas não é provavelmente a mais percorrida, e felizmente, dirão alguns. Expressemo-nos, então, mas tendo em conta o mais fundamental de todos os princípios na história da humanidade: o respeito.

Comunicar com respeito (também) na realidade online significa tomar posição, mas não impor. Apresentar, analisar, debater, mas não manipular.

Por fim, mas não menos importante, não proceder a qualquer ataque pessoal: não é fácil, sobretudo para aqueles detentores de uma personalidade menos contida, mas é possível e, sobretudo, desejável.

Cristina Fernandes