Evitar conflitos e evitar perder a face

 

Agir no sentido de evitar um conflito e de evitar perder a face (ou levar a que alguém a perca) é um comportamentos de grande importância em muitas Culturas, nomeadamente nas Asiáticas.

Impedir um conflito – ou tudo fazer nesse sentido -, é a melhor forma de respeitar e, até, homenagear um parceiro negocial. Em muitas Culturas Asiáticas, nas quais o conceito de perder a face atingiu níveis de extrema subtileza e requinte, é possível agir em ambos os sentidos – levar alguém a perder ou a salvar a face. Conflitos abertos – como reprimendas públicas ou afastamento de alguém do grupo – são formas directas de levar esse elemento a perder a face, naturalmente.

Recorrer ao silêncio ou ao sim, podem ser comportamentos indiciadores da vontade/necessidade de evitar um conflito. A utilização do silêncio pode ser muito difícil de interpretar, mas revela ponderação e respeito pelo interlocutor. Contudo, também aqui, as diferenças culturais não são negligenciáveis: algumas sociedades podem considerar o silêncio como falta de cortesia na medida em que não é dado seguimento ao que foi anteriormente verbalizado. Grande parte das vezes, o silêncio gera desconforto nos Ocidentais, consequentes más interpretações e subsequentes atitudes na direcção errada.

A hesitação é uma outra forma de silêncio, utilizada principalmente pelas culturas que privilegiam valores como a harmonia e a comunicação subtil (como, por exemplo, a Indiana). Quando alguém hesita e, de seguida, diz não, pode estar a expressar vontade mas preocupação na capacidade de realização positiva do que lhe foi solicitado.

Expressar claramente uma negativa pode ser um acto de grande dificuldade para as já aludidas Culturas Asiáticas; atente-se a outros aspectos da comunicação, como longas pausas, evitar contacto visual, respostas evasivas, gestos denotadores de desconforto. Expressões como talvez, provavelmente, estou a pensar sobre isso, vou considerar esse aspecto podem, nestas circunstâncias culturais, ser tomadas como uma negativa.

A comunicação, teoricamente, deveria ser utilizada para que às partes envolvidas fosse permitido manter a face e não entrar em conflito e, para tal ambicioso propósito, é necessário evitar a demonstração de raiva e de outras emoções negativas.

Neste contexto – evitar um conflito e evitar perder a face – atente aos seguintes aspectos da informação:

  • limite a linguagem gestual e mantenha uma posição corporal adequada;
  • posteriormente a uma reunião, apresente uma acta ou resumo escrito;
  • o silêncio pode significar acordo, desacordo ou ponderação: não deduza, de imediato, nenhuma destas possibilidades;
  • não interprete a ausência de conflito como acordo;
  • promova interacção entre os elementos do grupo.

 

Cristina Fernandes