Estruturar um discurso

Antes de proferir publicamente qualquer discurso é necessário, de modo mais ou menos estruturado e de acordo com a personalidade e circunstâncias de cada um, elaborar um plano que incluirá o conjunto de temas a tratar e as necessidades de informação a obter para a respetiva concretização. De facto, discursar de improviso é um talento que poucos possuem e, portanto, só a preparação pode garantir eficácia e transmitir uma imagem de profissionalismo.

Os primeiros aspetos a considerar devem ser clarificar quais os objetivos que se pretende atingir, qual o melhor tom para transmitir a mensagem e a impressão que se quer deixar nos ouvintes. É igualmente muito útil, quando possível, obter o maior conhecimento possível acerca da audiência, bem como ter em conta o relacionamento que o orador possa ter, ou não, com esse público. Saber exatamente o tempo de que se dispõe e, em função deste importante fator, determinar a informação a transmitir, é informação prévia primordial. Em caso de dúvida, opte-se sempre pela brevidade e simplicidade em detrimento de discursos longos, que facilmente geram dispersão e maçada nos ouvintes. Coordenar o conteúdo com eventuais discursos anteriores ou posteriores é sinónimo de coerência (mas poderá nem sempre ser viável).

Deve prestar-se particular atenção a todos os aspetos da comunicação não-verbal, sobretudo imagem e postura/gestos. Note-se que, seja qual for a situação, o primeiro impacto causado na audiência será visual, podendo de imediato gerar nos assistentes uma impressão positiva, ou o contrário, o que se refletirá na predisposição para ouvir.

A estruturação de um mapa mental prévio ajudará à organização do texto, no tradicional mas eficaz modelo de introdução, desenvolvimento e conclusão, em caso de dificuldade de organização criativa das ideias.

A introdução incluirá a nomeação dos principais assistentes, por ordem protocolar, se aplicável, bem como os agradecimentos e outras referências eventualmente pertinentes na circunstância em questão. Deve, igualmente, explicitar-se o objetivo do discurso, caso o mesmo não seja óbvio. No desenvolvimento, apresente-se a sequência de argumentos e na conclusão um breve resumo com a ideia principal, uma mensagem de conteúdo claramente mais emocional e, se adequado, uma reiteração de agradecimentos.

Por fim, mas não menos importante, para aqueles menos experientes nestas lides, treinar é essencial.

Cristina Fernandes