A boa educação no Séc. XXI

A boa educação não deixou de fazer sentido nestes complexos tempos que vivemos. Também não passou de moda. Muito pelo contrário. Num universo marcado pela diversidade, pela multiculturalidade, pela multiplicidade de comportamentos individuais e grupais, pela infinidade de escolhas pessoais, sem boa educação facilmente se derrapa para o caos social.

Se, às boas maneiras, se unir o bom senso e algum sentido de humor, estão consolidadas as bases para uma comunicação interpessoal muito mais efetiva e tendencialmente, mais pacífica.

No limiar da terceira década do séc. XXI, um comportamento pessoal e coletivo assente na boa educação passa, também, por promover a comunicação pessoal em detrimento da comunicação que se desenrola, cada vez com maior predominância, em torno de diversos ecrãs. Neste contexto absolutamente vertiginoso e, por vezes, até assustador, gravitamos à volta de mal-entendidos digitais que crescem em plataformas nas quais, com demasiada frequência, assistimos a verdadeiras faltas de respeito ou, mesmo, maldades.

Recordemos, então, os básicos da boa educação:

  • A saudação e os cumprimentos são absolutamente essenciais e, quase sempre, deixam a primeira impressão, que se pretende positiva, daquela pessoa, daquele momento.
  • As palavras mágicas “por favor”, “obrigado/a”, “lamento”, “desculpe” continuam a operar milagres.
  • A pontualidade é um comportamento revelador de boa educação.
  • A política, a religião, a saúde, as finanças pessoais permanecem temas desaconselháveis em contexto social.
  • Gerar controvérsias e fomentar a agressividade são comportamentos contraproducentes. Evitem-se as atitudes extremistas tanto quanto as generalistas.
  • Quando se recebe o que quer que seja, agradece-se e retribui-se.
  • À mesa, cumpram-se as boas maneiras, seja qual for o contexto, e respeitem-se, do mesmo modo, apreciadores de carne e veganos.
  • Os homens, podem continuar a agir como cavalheiros. As mulheres, não necessitam de se sentir diminuídas face a esse cavalheirismo, que não lhes retira igualdade, sendo apenas, se de boa fé e genuíno, uma forma de gentileza.
  • A hipersensibilidade social deve ser evitada: é fácil ofender e sentir-se ofendido. A prudência continua a ser mãe de todas as virtudes.
  • O universo digital permite-nos estar sempre contactáveis, tendo desaparecido o conceito de tempo pessoal e de tempo profissional. No entanto, o bom senso e o bom gosto devem persistir. Se existem temas que requerem conversas telefónicas, existem outros que se resolvem com comunicação escrita (menos invasiva) e existem outros, ainda, que exigem um contacto pessoal. E, na maior parte dos casos, para cada um destes assuntos há um momento mais apropriado do que outro.
  • Entre os millenials e todos os que não são nativos digitais, existem diferenças que vão muito para além da idade. O bom senso e a empatia poderão evitar registos de comunicação desconcertantes.
  • O modo como nos apresentamos visualmente em termos de vestuário e acessórios é, como sempre foi, um fator revelador do respeito por nós próprios, pelos outros e pelas circunstâncias.
  • Ao não sabermos como atuar, o sorriso e a escuta ativa são, sempre, comportamentos seguros e pacificadores. Afinal, tudo em nós
  • comunica.

Cristina Fernandes