A gravata está próxima do fim?

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Surge este texto impulsionado pelas recentes notícias, surgidas na imprensa, dando conta de que o setor da banca em Portugal continua, progressivamente, a “informalizar” o código de vestuário dos seus colaboradores masculinos, nomeadamente o BCP e o Montepio (este último apenas às sextas-feiras), seguindo uma tendência iniciada por grandes bancos estrangeiros.

De facto, o uso masculino de fato e camisa, mas sem gravata, é um movimento que se tem vindo claramente a consolidar, movido por diferentes razões, tendo começado por acontecer sobretudo nos países de clima tropical e, entre nós, no verão, bem como nas empresas de cultura menos formal.

Parece, portanto, que a gravata está a cair em desuso ou, melhor, a ser reservada apenas para situações de grande formalidade/cerimónia, sendo o “novo normal” ver-se, mesmo em ambiente urbano e profissional, os homens a usarem fato e camisa, sem gravata. Aliás, os mais atentos terão reparado que, dos líderes masculinos dos partidos políticos que, nas eleições do passado domingo 6 de outubro, ganharam assento parlamentar, apenas dois usaram gravata ao discursarem nessa mesma noite.

Esta tendência, muito aplaudida pelo género masculino, insere-se no dress code internacionalmente designado como business casual, que consiste no uso de fato (preferencialmente escuro) e camisa (clássica, branca ou azul, de manga comprida), sapato escuro a condizer (ténis excluídos em contexto profissional formal…) e acessórios clássicos (cinto, relógio, eventualmente até botões de punho e pocket square).

O importante – como em tudo na vida – é recorrer ao bom senso para decidir quando usar ou não usar a dita gravata e, acima de tudo, não confundir conceitos: dispensar a gravata não é sinónimo de uma imagem descuidada e totalmente informal, muito pelo contrário. Um fato clássico usado com uma camisa branca de boa qualidade, mesmo sem gravata, pode transmitir uma imagem muito positiva, elegante e distinta.

No entanto, por via das dúvidas, não corra para o seu roupeiro a desfazer-se de todas as gravatas… afinal, nestas matérias, como em tantas outras, nada é definitivo e tudo é cíclico…!

Cristina Fernandes